quarta-feira, março 04, 2009

Canto da Solidariedade


Distribua-se o peixe no mar, distribua-se o sável,
distribua-se o peixe-serra pequeno
distribua-se o sável pequeno
ditribua-se o tubarão
distribua-se o pargo
O caminho do peixe, parece que Deus o fez de ouro
o flautista chama pela rapariga
diz-lhe que se agarre bem à sua camisa
distribua-se o mero
distribuam-se as conchas presas às rochas
ditribua-se a lagosta
distribuam-se os caranguejos
distribua-se o marisco que vive como se risse
Com a boca aberta aferrada à rocha
distrubua-se a carne dos moluscos
distribuam-se os moluscos maiores do rio
distribuam-se os camarões
distribua-se o mero do rio
distribua-se a iguana que se esconde
Na copa da árvore de pau santo
de ouro, o caminho do peixe,
parece que o fez de ouro,
parece que Deus fez de ouro
o caminho do peixe

Poemas Ameríndios / (Cunas) - fotografia / teresinha (Oceanário Lisboa)

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Moro no Oceano...

A maneira mais inteligente de passar um fim de semana, quando o Sol não brilha.
*****
De "papo para o ar", bem aconchegadinha num edredon, que em vez de Penas terá Folhas... Relaxe, mesmo que ao seu redor o mundo "gire ao contrário". Respire fundo e, deixe-se ficar o tempo que lhe apetecer. Ou então, NÃO!!! Bom fim de semana para todos, que "perdem" uns instantes do seu tempo para me visitarem.
"NAMASTÊ"!!!
Fotografia/ Teresinha - "Amália"/Oceanário de Lisboa

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Viagens...

A gaivota já poisou em todos os meus versos
trazendo sempre uma promessa de distâncias irreais.
*
Chega com o mau tempo. Fica de vigia.
Apenas uma brisa leve lhe arrepia
o desenho solene e rigoroso que compõe à beira do cais.
Há mundos insondáveis no riso que me lança
e que acende no meu peito uma criança com desejo
de improváveis desarrumos tropicais.
*
Quando abrir de novo as asas e partir
em busca de outros continentes, outras ilhas
deixará na praia do poema alguma pena
e o mapa confuso de pegadas andarilhas.
*
Digo adeus e fico a vê-la
a afastar-se lentamente no azul
e repito para mim próprio
e juro e volto a jurar
que um dia abro a janela
e vou com ela
viajar
*
José Fanha /Poemas com Animais/ (breve Antologia, organizada, seleccionada por José Fanha)
fotografia/teresinha

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

As Cores d' "Aurora"

" Pinceladas" de Sol no horizonte...
Virá a última cor
numa manhã de cinza.
Não serão precisas palavras,
nem lápis
nem papel.
Talvez nem sequer as emoções
que tornariam possível crer
que um deus vagabundo
Prenunciador de tempestades
colheria nas suas mãos
as duas primeiras flores ...
[...]
Tão premeável à luz
e tão por ela trespassada que os rios
se suspendem sobre a parede
aguardando que a mão
volátil do pintor
lhe aponte os últimos caminhos
da foz
ou da nascente.
*
Hugo Santos / A Cor - Fotografia/teresinha

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Charles Darwin /200 Anos

O biólogo e naturalista Charles Darwin nasceu em Inglaterra e viveu de 1809 a 1882. Durante um período de cinco anos colaborou em pesquisas realizadas nas costas e nas ilhas da América do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Ficou surpreendido com o grande número de espécies de plantas e animais que, até então eram desconhecidos. O que lhe chamou mais a atenção foi a incontável diversidade de tentilhões, que só conheceu nas ilhas Galápagos, situadas na costa ocidental da América do Sul. Permaneceu nessa viagem científica durante cinco anos procurando descobrir a razão da grande diversidade de plantas e animais.
Em 1859, na certeza de ter encontrado respostas escreveu o livro: "A Origem das Espécies". Posteriormente escreveu a obra: "A Descendência do Homem", onde manifestou as suas ideias sobre o ressurgimento da raça humana no planeta Terra. Estes dois livros geraram muita controvérsia na época, contudo, hoje em dia, muitas das suas ideias são aceites pela ciência.
Ele acreditou que a razão de existirem pequenas diferenças na descendência, tanto das plantas como dos animais, fazem com que certas espécies vivam mais tempo do que outras, No caso de possuirem vida mais longa, estas gerarão mais descendentes, e este facto permitirá o aparecimento gradual de novos tipos de variações.
[...]
«200 anos depois, do nascimento de Charles Darwin»
Imagem/images.amazon.com

domingo, fevereiro 08, 2009

"Deus do Mar"

«Neptuno, filho de Saturno e irmão de Júpiter e de Plutão. Em seu palácio no fundo do mar tinha encerrados os cavalos marinhos que puxavam o seu carro sobre as ondas». (mitologia romana)

E já no porto da Ínclita Ulisseia
C'um alvoroço nobre e c'um desejo
(Onde o licor mistura a branca areia
Co'o salgado Neptuno o doce Tejo)
As naus prestes estão; e não refreia
Temor nenhum o juvenil despejo,
Porque a gente marítima e a de Marte
Estão para seguir-me a toda a parte

Julgando já Neptuno que seria
Estranho caso aquele, logo manda
Tritão que chame os Deuses da água fria,
Que o mar habitam dua e doutra banda,
Tritão, que de ser filho se gloria
Do rei e da Salácia veneranda,
Era mancebo grande, negro e feio,
Trombeta de seu pai e seu correio.

Luís de Camões/Os Lusíadas - Canto IV, Canto VI - 84 , 16 -respectivamente
Fotografia/Teresinha

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Rosa-dos-ventos

Queria quebrar todos os ventos verter para o silêncio
o fluido artificial da voz;
ficar suspenso num pequeno círculo
como uma sílaba discreta
no meio de um verso abandonado;
errar todas as direcções
e habitar o mais previsível
dos lugares
onde fosse encontrar
um pouco de matéria para a
alma.


Nuno Higino/Onde Correm as Águas - fotografia/Teresinha /Lisboa

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Canto do Vento

O vento começa agora a cantar,
o vento começa agora a cantar.
A terra estende-se diante de mim,
diante de mim estende-se ao longe.

Troveja agora na casa do vento,
troveja agora na casa do vento.
Percorro a terra dos trovões,
rugindo percorro a terra.

Às montanhas onde sopra o vento,
às montanhas onde sopra o vento
chegou o vento dos cem mil pés,
a elas chegou o vento correndo.

Chegou o obscuro Vento Serpente,
chegou o obscuro Vento Serpente.
Chegou e enrolou-se sobre si mesmo,
com seus cantos chegou correndo.

Poemas Ameríndios / Pimas / (mudados para português por) Herberto Helder - Fotografia/ Teresinha (Torre de Belém/ Lisboa)

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Prémio Blog de Ouro

Recebi no meu Blog o prémio: "Blog de Ouro"

Veio directamente da Fátima de: http://banalidades-banais.blogspot.com/
Obrigada pela distinção com que me elegeu. Quem não esperava, era eu!
O Prémio Blog de Ouro, é atribuído só a mulheres.
Com as seguintes regras para quem o recebe:
1 - Exibir a imagem do selo
2 - Escolher seis mulheres diferentes a quem entregar o Blog de Ouro
3 - Deixar um comentário nesses Blogs para que saibam que ganharam o prémio

Eu entrego o prémio ás seguintes presenças na Blogosfera:

To the Light House
O céu da Céu
Xonguila
Quiromancias
Monte das Sete Figueiras
Floresta 53

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Voyeur

Cheguei-me já sem voz junto à falésia
e lancei rocha abaixo o que me fora imposto.
Não sei que verde mão os fundos removia
ou que água suja ou crosta corroíam a pedra
com o mar avançante,
retrocedendo, ferindo,
lá em baixo,
e as gralhas electrizavam sua penugem, e senti
certa satisfação ao comtemplar minha vertigem,
sabendo concerteza que ao fim
e ao cabo isto é só um poema,
Que continuo aqui e posso ainda escrevê-lo.

Maria Victoria Atencia / Antologia Poética - Fotografia / Teresinha (Porto Covo)

domingo, janeiro 11, 2009

As Tuas Mãos...


As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha mão para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das
[coisas.

Sophia de Mello Breyner / Obra Poética

Chegou o Francisco 11-01-2009!
Acolher um filho nos braços é, uma experiência... «AVASSALADORA»!
(Palavras da Ana - mãe do Francisco - quando a felicitei)
Que o vosso filho seja um "RAIO DE SOL", durante toda a vossa VIDA.
Fotografia / Teresinha - (Uma semana antes de chegar o Francisco)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Com a Alma no Olhar

No rectângulo da solidão
elevada ao quadrado
ao cubo
ou a uma quarta dimensão
ainda me liga a ti
amigo
não amado amor
a recordação da paisagem
deste Novembro incerto
que não sou capaz
de repelir

Maria José Ramil/ A Folhagem e o Mar - Fotografia/ Teresinha (Sonega)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

This is for you ...

I found the words to every thought I ever had -but One-
And that -defies me-
As a Hand did try to
Chalk the Sun.


«Encontrei as palavras para todos
Os meus pensamentos -excepto Um-
E isso -é um desafio para mim-
Como escrever a giz no Sol»


Emily Dickinson /Poemas e Cartas/ (1862) - Fotografia/Teresinha (São Torpes)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

"Renovação"

Tisana 415
Sento-me à porta de mim mesma e penso: o tempo é uma espécie de revelador fotográfico ao contrário: faz com que as imagens em vez de aparecerem, desapareçam. Toda a revelação é um puzle de hipóteses. Perscrutar é o trabalho do criador que procura, o que martela o seu coração.

Ana Hatherly/463 Tisanas - Fotografia/Teresinha

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Que Rena Vem a Ser Esta?

Dois dias depois do Natal, chegou a minha casa esta Rena, bem "camuflada", muito bem embrulhadinha dentro de uma caixa. Vinha directamente do "Baú da Tita". Apressei-me a retirá-la, (não fosse sufocar)!... Reconheci-a de imediato. Como é possível ?! Tu aqui !!! Mas, esta Rena, é a "Rena Namoradeira" da Carol!!!...
- Saberás porventura, onde ela andou até hoje Carol? -Onde pára o teu Conto Natalício? Preciso urgentemente que publiques esse conto para eu ter a certeza absoluta da sua identidade. Será que estou enganada? Na mão esquerda, ela traz um Abeto com uma Estrela e, na direita, um Coração. -Será que é ela???!!!
É que, custa-me imenso vê-la ali a olhar para mim completamente muda . Porque trará ela o coracão pendurado na mão? (fico a aguardar Carol).
Fotografia/Teresinha

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Contraste da Noite de Natal

Ser Alentejano
Vinte e quatro de Dezembro,
noite fria
Noite de tristeza,
noite de alegria
Noite de miséria,
noite de farturas
Palácios cheios de Luz
Mentiras aos pés da cruz
Choupanas frias às escuras.

Lindos sapatinhos na Chaminé
Cheios de ilusão e de fé
Pelos brinquedos
há muito esperados
Damas perfumadas
Que fazem compras esmeradas
Pés descalços,
corpos esfarrapados.

É noite em que desce
à terra o bom Jesus
Noite de Pão, Amor e Luz
Quem foi que isto nos ensinou?
O Natal é só para alguém
Para aqueles que nada têm
O Natal foi mais
uma noite que passou.

António Mestre /Abela /Santiago do Cacém - Semanário Notícias do Litoral
Fotografia/Teresinha - "Um Alentejano"

terça-feira, dezembro 23, 2008

Menino Jesus

"Num dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino.
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de um modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do Céu. (...)"
*
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) - Fotografia/Teresinha
Poesia deixada "em jeito" de comentário, pela Fátima. http://banalidades-banais.blogspot.com/

sábado, dezembro 20, 2008

"Olhos d' água" em Vale D' Água

Aguardando a chegada da Tunasas no Centro de Dia
Com um sorriso na nossa recepção, sentado à janela
Cantámos e distrubuimos docinhos
Um misto de timidez e curiosidade.... Conversámos bastante...
Quando lhe disse que, tinha uns olhos claros bonitos, que gostaria de o fotografar respondeu-me um pouco incrédulo, mas de imediato! Estou bem assim?!
- Está muito bem assim!!!
- Obrigada pela tarde que nos proporcionaram. Que esta Quadra Natalícia traga a todos o aconchego e o conforto de que necessitam , ELES e ELAS, que se alegram e transformam na presença daqueles que os fazem sentir-se acarinhados...
Fofografia /Teresinha- Foto Ferrero Rocher/ Zé Senos

quinta-feira, dezembro 18, 2008

TUNASAS de Visita à Abela

A (Belas), dobando "retalhos" para os tapetes...
"Belíssima" da Abela!
Cantando para nós. Obrigada, Maria Páscoa!
****************************************
*
Rosto
Rosto nu na luz directa.
***
Rosto suspenso, despido e premeável,
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
***
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na angústia do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
***
Rosto derivando lentamente,
Pressentindo que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente [...]
*
Sophia de Mello Breyner/ Obra Poética - Fotografia/ Teresinha
Homenagem aos «Rostos das Mulheres de Abela»

terça-feira, dezembro 16, 2008

TUNASAS em São Domingos

Ó meu Menino Jesus...
Cantando as "antigas" Janeiras

*Que o AMOR e a SOLIDARIEDADE seja o elo mais profundo em tudo o que for planeado, realizado e vivenciado no ANO que está para vir*.
********************************************
*Cânticos de Natal* Deslocação da Tunasas ao Centro de Dia de São Domingos.

Fotografia / Teresinha

domingo, dezembro 14, 2008

Bocelli

O Gato
Que fazes aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que Deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice, de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neil / Poemas com Animais / Breve Antologia - Fotografia / "Bocelli "/Aurora

sábado, dezembro 13, 2008

"Borys"

«Despedida ao meu Amigão»
Chegaste trazido pelos meus filhotes, faz este Natal 12 anos. Eras jovem cão com cerca de dois meses, lindo, simpático e brincalhão. Foste criado como mais um elemento da nossa prol, chegando mesmo a ser tratado pelo Álvaro e Sónia como mano Bóris. Sabíamos que também nos consideravas elementos da tua matilha...
Deste-nos tantas alegrias, foste o nosso grande amigo , sempre disponível para saires e ficares connosco. Tive-te sempre no meu pensamento e no meu coração e jamais te esquecerei. Obrigado por tudo que e como foste. Certamente que fui por vezes injusto para contigo, quando poderia ter sido bem melhor, mas sou humano e os humanos ainda não aprenderam a ser cães. Partiste esta manhã, um pouco antes do meio-dia, ou melhor, fiz-te partir... terá sido coragem ou cobardia!?
Mas foi a decisão mais difícil que tomei até hoje, lembro-te e choro, o meu coração está dorido. Não mais terei essa carita linda, esses olhos meigos ou essa pequena cauda a abanar dando-nos sinal de aprovar tudo o que fazíamos ou dizíamos. Quanto melhor seria o mundo se certos humanos fossem amigos como tu foste. Sou crente, por isso acredito para além da morte. Quem sabe se um dia, não sei quando nem onde nos possamos encontrar?!
Comecei estas linhas com a tua chegada faz 12 anos pela altura do Natal, termino, com a tua partida, também pelo Natal, será só coincidência?!
Boris Amigo, por tudo que podia e deveria ter feito e não fiz, como por aquilo que fiz e não devia ter feito, as minhas desculpas e, acredita, foi muito viver contigo.
Aquele xi-coração.
eu........
(email enviado pelo Manel na despedida ao seu Fiel Amigo, Bóris - Fotografia /Manel)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

«Provavelmente»

Provavelmente, o campo demarcado
Não basta ao coração nem o exalta;
Provavelmente, o traço da fronteira
Contra nós, amputados, o riscámos.
Que rosto se promete e se desenha?
Que viagem prometida nos espera?
São asas (que só duas fazem voo),
Ou solitário arder de labareda?

José Saramago / Provavelmente Alegria - Fotografia - C. Porfírio (Jardim em Málaga)

(Não resisti a publicar novamente Saramago)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Madrigal

Foi milagre? Ideia louca.
Mas que mais posso dizer
Desta profunda alegria
De ver a alma aparecer
No riso da tua boca?
*
Ainda se fosse a tua,
Entendia,
Mas a minha que faz lá?
Parece um caso da lua
(Tais coisas não são de cá)
Andar-me a alma contigo.
Foi milagre. Bem o digo.
*
Provávelmente Alegria/José Saramago - Fotografia C. Porfírio